O Perfil do Profissional
Contábil
Marcia Covaciuc Kounrouzan
RESUMO
Na
“era da informação”, o profissional detentor desta, tem um lugar de destaque, o
profissional contábil é o profissional que detém as informações em primeira mão
das entidades, porém o mercado tem exigido deste uma adequação às novas
necessidades, exigindo que tenha ações pró-ativas e desenvolva competências e
habilidades necessárias para atender essa nova demanda. Através de pesquisa do
posicionamento de diversos órgãos de classe internacionais e nacionais, assim
como o de autores e estudiosos renomados da nossa literatura, traçou-se um
perfil para que o profissional continue competitivo no mercado de trabalho.
Palavras
Chave: Profissional Contábil – habilidades – mercado – informação
INTRODUÇÃO
As
constantes mudanças sócio-econômicas exigiram, desde o início da civilização,
todas as pessoas e profissionais, transformem suas posturas visando
adaptarem-se às condições de sua época. Inicialmente, o objetivo era apenas
conhecer a quantidade de bens, mas, posteriormente, com o desenvolvimento do
comércio, necessitou-se verificar os ganhos e as perdas oriundas das
transações. Com a revolução industrial, novas informações passaram a ser
primordiais, não apenas quanto aos resultados das transações comerciais dos
produtos, mas também com relação aos custos de produção, à necessidade de bens
produtivos e os respectivos custos para manutenção destes. Com o rápido
desenvolvimento tecnológico, com a divulgação das informações em tempo real e
com o advento da globalização, há necessidade que a contabilidade divulgue as
informações de forma a facilitar a tomada de decisões. Além disso, o
profissional de contabilidade, deve estar preparado para entender o “negócio”,
visando orientar o gestor e participar das decisões de forma consciente. O
profissional após concluir a graduação, tinha a certeza de que já exerceria sua
profissão e teria uma vantagem competitiva no mercado de trabalho. Atualmente
não basta apenas concluir o curso superior, o profissional necessita ter
características multiprofissionais e estar preparado para a quebra de
paradigmas e mudar a forma de agir e interpretar as informações disponíveis. O
profissional da área contábil, que tem como uma de suas responsabilidades a
geração de informações de todas as operações realizadas em uma empresa, bem
como mostrar se as decisões tomadas foram adequadas ou não, precisa estar
preparado para atender às necessidades atuais de uma economia globalizada.
O
PERFIL DO PROFISSIONAL
A
grande mudança desta era, e com certeza a mais surpreendente, é o desafio que o
avanço tecnológico representa. Com a revolução tecnológica tem-se bilhões de
informações à disposição da sociedade, transitando à velocidade da luz. Para as
empresas isto se traduz de várias formas, como o controle em tempo real e
decisões quase em tempo real. Quase, porque ainda depende do homem. Mesmo
adaptado à velocidade vertiginosa das mudanças desse início de século, o ser
humano a princípio não responde com a mesma agilidade dos computadores, quando
se trata de decisões 2 complexas. Afinal, o contexto da decisão sempre exigirá
algumas análises, dependendo da importância do assunto e dos riscos envolvidos.
O avanço tecnológico e o crescimento da informação, sem limite, vêm
apresentando desafios para a ciência contábil que, inevitavelmente, levarão a
um redirecionamento no papel desempenhado pelos profissionais ligados a essa
área. Alguns Contadores são tomados de surpresa pela constatação de suas
limitações no desempenho de seu papel, sendo o profissional contábil percebido
como carente de competências que ultrapassem seu domínio profissional, ou seja,
os aspectos quantitativos da informação. A Contabilidade tem papel de destaque
nas empresas, uma vez que ao tratar os fatos patrimoniais, transformando-os em
informações, exercita a sua principal função. Porém, o Contador não pode ficar
limitado ao desempenho da função de informante. Deve, pelo contrário, estar
preparado para a participação na tomada de decisões, visando identificar e
corrigir as dificuldades e adversidades que surgem ao longo do caminho, através
de ações pró-ativas, baseadas nas informações geradas pela Contabilidade. “O
mercado atual requer modernidade, criatividade, novas tecnologias, novos
conhecimentos e mudanças urgentes na visão através dos paradigmas, impondo, com
isso, um desafio: o de continuar competindo.” (SILVA, 2000:26) O AICPA após
pesquisas evidenciou como resultado, a elaboração de uma estrutura para criar
habilidades técnicas, que permitirão o fortalecimento e melhor capacitação da
profissão contábil em 2011. Os três componentes dessa estrutura são:
a) definição das competências necessárias para
exercer a profissão;
b)
melhorar as práticas de ensino;
c)
meios para avaliar continuamente os currículos de ensino. As competências
necessárias para o profissional contábil do futuro estão subdivididas em
competências funcionais, amplo entendimento de negócios e competências pessoais.
Outro trabalho pesquisado, foi aquele baseado em entrevistas com 300 contadores
gerenciais, consultados aleatoriamente entre os associados do IMA e do AICPA,
todos com mais de sete anos de experiência nessa posição, além de entrevistas
com cinco empresas consideradas “de ponta”. As principais mudanças divulgadas
pelo estudo do IMA, são:
a)
Aumento do valor do management accountant. Melhoria de imagem. Em muitas
empresas os management accountants são vistos como parceiros de negócios
(business partners);
b)
Aumento de comunicação com não contadores. Os management accountants atualmente
despendem mais tempo comunicando-se com pessoas de suas empresas;
c)
Melhorias nas decisões negociais. Nas empresas onde os management accountants
operam como parceiros de negócios, há exemplos que evidenciam que as melhores
decisões de negócios são feitas;
d)
Mudança da localização de trabalho. Os contadores tradicionalmente trabalham
nos departamentos de contabilidade, distantes dos departamentos operacionais de
suas empresas. Muitos contadores gerenciais presentemente estão trabalhando
fora da contabilidade, dentro dos departamentos operacionais para os quais
prestam serviços; d) Participação do time/liderança. A maioria dos management
accountants trabalha em times multifuncionais, ocupando mais posições de
liderança;
e)
Mudanças nas atividades de trabalho. Trabalhos de consultoria interna,
planejamento estratégico de longo prazo, análises de processos objetivando
melhorias e reduções de custo, análises de tomadas de decisões, análise de
performance financeira e econômica e outras atividades não tradicionais para
contadores estão aumentando muito. Enquanto isso a maioria gasta muito menos
tempo em atividades tradicionais de contadores, tais como orçamentos,
relatórios, 3 consolidações, políticas contábeis, contabilidade de custo,
aderência a normas fiscais, contabilidade de projetos etc. A automação está
liberando tempo para atividades mais nobres para os management accountants;
f)
Capacidade requerida para o sucesso. Para os management accountants entretanto,
na profissão, as capacidades requeridas mais importantes são: habilidade de
comunicar-se bem, oralmente e por escrito, habilidade de trabalhar em equipes
de trabalho, capacidade de análise detalhada, sólidos conhecimentos de
contabilidade e entendimento de negócios. Além de aprenderem a detectar
problemas, eles precisam aprender a apresentar soluções para os problemas
identificados.
No
Brasil a profissão contábil tem todas as condições para um crescimento elevado
e sustentado, pois a possibilidade de melhoria nesse campo, é ampla,
principalmente em função da preocupação e de trabalhos desenvolvidos pelas
entidades de classe brasileira.
O
Conselho Federal de Contabilidade tem sido um órgão extremamente atuante para a
melhoria e atendimento das necessidades da classe contábil.
A
profissão contábil está passando por significativas mudanças em sua estrutura
interna e externa, alterações que ainda não são conhecidas pela grande massa
dos profissionais, porém os órgãos estão trabalhando para que essa
conscientização seja assimilada de forma global, para que os profissionais
ainda fora do novo contexto tenham tempo e formas de reformulação e adaptação
às novas necessidades exigidas pelo mercado.
O profissional contábil precisa mudar a sua
postura diante da organização e passar de uma ação passiva para uma ação
pró-ativa. Nesse sentido, IUDÍCIBUS (1991: 7) diz que, “para seu benefício
profissional e como cidadão, o Contador deve manter-se atualizado não apenas
com as novidades de sua profissão, mas de forma mais ampla, interessar-se pelos
assuntos econômicos, sociais e políticos que tanto influem no cenário em que se
desenrola a profissão”.
O profissional contábil entra numa nova era,
mais atualizada, mais dinâmica, mais inovadora e mais exigente. Cabe aos
profissionais da Contabilidade a responsabilidade na maximização da utilidade
da informação contábil e todo o trabalho de procurar atender aos diferentes
usuários desta informação. Não pode deixar que a Contabilidade seja apenas um
retrato histórico da situação passada da entidade.
CONCLUSÃO
No
atual contexto da economia globalizada, com inexistência de fronteiras
macroeconômicas e sociais, o contabilista deve entender a nova lógica do
mercado mundial, não podendo em hipótese alguma, considerar esta situação de
forma estática, pois a rapidez no ritmo das mudanças obrigam empresas, produtos
e serviços a adaptarem-se em velocidade sem precedentes. Estratégias que
parecem interessantes em um determinado momento, revelam-se obsoletas logo em
seguida.
O
Contabilista necessita atender a quatro etapas no processo qualificativo:
formação acadêmica, experiência prática, competências e habilidades e ética e
responsabilidade social. Formação Acadêmica: Na formação acadêmica são três os
agentes envolvidos: a instituição, o professor e o aluno. A educação, como
principal agente, é a chave para valorização profissional, corresponde a um
processo inserido no contexto das relações e interesses entre as instituições,
aluno e empresas, que determinam a formação social, onde se faz necessário
priorizar os aspectos filosóficos, políticos, sociológico e epistemológicos da
educação contábil, visando a formação de um profissional consciente de sua
missão histórica e preparado para agir em grupo. 4
A
Instituição: Como responsável pela definição do currículo, deve determinar
políticas claras e conscientes ao modelo de sociedade em que está inserida e o
tipo de profissional necessário para atuar neste contexto. O currículo deverá
atender aos valores e contradições da sociedade e a cultura onde estiver
inserida. Este corresponde à descrição das ações necessárias para a construção
da qualidade do ensino. Deverá estar voltado para capacitar o aluno ao
entendimento da realidade e para a construção de novos modos de ver e
compreender a realidade. Deve estar adequado e servir como ligação entre os
objetivos educativos e as práticas sociais e culturais, permitindo a formação
adequada do profissional desejado.
O
Professor: A figura do professor aparece como orientador do processo de
formação do profissional. Para que o objetivo da proposta seja atingido é
necessário que o professor esteja engajado e consciente dos objetivos da
Instituição. A seriedade e a dedicação do professor em desenvolver os programas
das disciplinas sob sua responsabilidade são condições sine qua non para o
funcionamento da ferramenta de valor que é o currículo. O professor como agente
do aprendizado, deve cuidar da manutenção de suas competências, através de
atualizações e cursos de aperfeiçoamento como mestrado e/ou doutorado,
desenvolvendo pessoalmente um constante aprimoramento de seus conhecimentos e
atuação profissional, o que implica, no desenvolvimento perfeito da
comunicação, da capacidade intelectual e da orientação didático-pedagógica.
O
Aluno: O aluno deverá estar preparado para os novos desafios que se seguem a
partir do ingresso no ensino superior, através dos ensinamentos recebidos ao
longo do curso, desenvolvendo competências e habilidades para o desempenho de
sua profissão. Deverá ter consciência de sua responsabilidade no processo de
aprendizado, dispondo-se a participar como protagonista, na execução de
tarefas, estudos, pesquisas e mudanças de comportamento, visando o
aprimoramento técnico e intelectual. Para tanto, o aluno deverá atuar
ativamente através da dedicação e conscientização de seu futuro papel na
sociedade, pois é o produto que a Instituição prepara para que seja absorvido
por um mercado exigente, dinâmico e competitivo. Experiência prática: Terá
vantagem competitiva o profissional que conciliar a formação acadêmica à
prática da profissão. É importante que o profissional da área Contábil conheça
e saiba executar todas as etapas necessárias ao fornecimento das informações
contábeis. Com o avanço tecnológico, o Contador não exerce mais o papel de
executor dos registros contábeis, pois os diversos sistemas de informações
existentes já executam tal tarefa. Mesmo assim, é importante que o Contador,
para adquirir a experiência prática necessária saiba gerar tais informações.
Esta prática auxiliará na interpretação destas, possibilitando ao Contabilista
adquirir experiência e auxiliar nas tomadas de decisões.
A
experiência prática também é adquirida no momento em que o profissional se
depara com situações que exijam, além dos conhecimentos técnicos, determinações
de procedimentos e prioridades para a tomada de decisões no mercado. Para
tanto, é importante que no decorrer de sua vida acadêmica, o aluno mantenha
contato com as diversas funções existentes em sua profissão, através do mercado
de trabalho e/ou laboratórios contábeis. Competências e habilidades: Entende-se
por competências o conhecimento técnico e por habilidades, a capacidade de
transmissão e análise do conteúdo técnico. As competências para o desempenho da
profissão contábil, de acordo com as condições atuais de mercado, devem ser:
competências gerais, comerciais, organizacionais e técnicas:
a)Competências
gerais - envolvem conhecer e entender as correntes econômicas, políticas,
sociais e culturais de uma forma global;
b) Competências comerciais - referem-se ao
conhecimento do segmento de mercado em que esteja atuando;
c) Competências organizacionais - conhecimento
do processo operacional da organização em sua área de atuação, através do
conhecimento e interação entre o mercado e o grupo organizacional;
d)
Competências técnicas - conhecimento das normas e 5 princípios contábeis, ser
capaz de desenvolver, analisar e implantar sistemas de informações contábeis e
de controle gerencial.
As
habilidades necessárias são: habilidades de comunicação, habilidades
intelectuais e habilidades interpessoais;
a)
Habilidades de comunicação - representam a capacidade de transmitir e receber
informações com facilidade. É a defesa de seu ponto de vista, formal e
informal, verbal ou escrita de modo a posicionar-se de forma segura e
persuasiva perante qualquer pessoa de posição hierárquica, superior ou
inferior. O profissional contábil deve ser capaz de escutar atentamente e
entender pontos de vistas opostos;
b) Habilidades intelectuais - capacidade de
utilizar-se de criatividade para solução de problemas, capacidade de
julgamento, discernir prioridades e saber trabalhar sob pressão;
c) Habilidades interpessoais - correspondem a
habilidade em trabalhar com pessoas, saber influencia-las, organizar e delegar
tarefas, motivar e desenvolver pessoas e resolver conflitos. Ética e
responsabilidade social: Muito tem-se escrito sobre ética, valores, moral e
cultura; todo indivíduo e organizações precisam estar atentos não só às suas
responsabilidades econômicas e legais, mas também às suas responsabilidades
éticas, morais e sociais. Essa responsabilidade ética corresponde a valores
morais específicos.
Valores
morais que dizem respeito a crenças pessoais sobre comportamento eticamente
correto ou incorreto, tanto por parte do próprio indivíduo quanto com relação a
outros. É dessa maneira que os valores morais e ética se completam. A moral
pode ser vista como um conjunto de valores e de regras de comportamento que as
coletividades, sejam elas nações, grupos sociais ou organizações, adotam por
julgarem corretos e desejáveis, ou seja, a melhor maneira de agir
coletivamente, o que é bem ou mal, o permitido e o proibido, o certo e o
errado, a virtude e o vício.
O profissional da área contábil deve exercer
com ética as atribuições e prerrogativas que lhes são prescritas através do
Código de Ética editado pelo CFC, assim como, desenvolver uma consciência
voltada a atender as responsabilidades para com a sociedade enquanto indivíduo.
Somente com condutas pautadas na responsabilidade ética, moral e social é que o
profissional poderá se desenvolver, principalmente o profissio9nal contábil,
que é o responsável pela alimentação das informações que os usuários tomam como
base e parâmetro para tomarem suas decisões de investimento ou gestão.
BIBLIOGRAFIA
SILVA,
Tania Moura. Currículo Flexível: Evolução e Competência. Artigo publicado na
Revista Brasileira de Contabilidade do CFC, edição Ano XXIX – No. 121 –
Janeiro/Fevereiro 2000 – páginas 23 a 27. IUDÍCIBUS, Sérgio de e MARTINS, Eliseu.
Contabilidade :uma visão crítica e o caminho para o futuro. São Paulo: CRCSP,
1990. NOSSA, Valcemiro. A necessidade de Professores Qualificados e Atualizados
para o Ensino da Contabilidade. Artigo publicado na Revista de Contabilidade do
CRC-SP, edição Ano III – No. 9 – Setembro de 1999 – páginas 18 a 23. MARCIA
COVACIUC KOUNROUZAN Bacharel em Ciências Contábeis pela FECAP - Fundação
Alvares Penteado e mestre na área de Contabilidade Estratégica e Controladoria
pela FECAP - Fundação Alvares Penteado. Atua como professora nas Faculdades
Oswaldo Cruz e na UNIP - Universidade Paulista. Consultora pela Plenty
Controladoria.
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